Por Vincenzo Lasalvia

Nos últimos meses, tenho vivido uma das experiências mais significativas da minha trajetória profissional: participar da construção do Projeto UniAnchieta 50+.
A iniciativa nasce do compromisso institucional da universidade com a educação ao longo da vida e com o impacto social na região. Ao desenvolver esse projeto, o UniAnchieta reconhece que apoiar pessoas com mais de 50 anos significa contribuir para que essa geração viva uma nova fase com autonomia, propósito, saúde emocional, participação social e inclusão digital.
Ao longo dessa jornada, percebo que trabalhar com longevidade vai muito além de desenhar trilhas de aprendizado ou organizar eventos. Trata-se de compreender uma geração que está redefinindo o significado de envelhecer — e essa transformação aponta caminhos importantes para o futuro da educação, da convivência e da cidadania.
Compartilho, a seguir, alguns aprendizados que se tornaram cada vez mais presentes no meu dia a dia.
Nas conversas com participantes das Masterclasses e dos cursos, chegar aos 50, 60 ou 70 anos não aparece como encerramento de ciclos. Pelo contrário.
É comum encontrar pessoas que desejam aprender tecnologia, empreender, desenvolver novas habilidades, ampliar sua rede de contatos ou simplesmente descobrir novos propósitos.
O que elas buscam é construir um futuro que faça sentido. E essa perspectiva muda completamente a forma como pensamos a educação para essa fase da vida.
As dificuldades técnicas existem, claro. Mas elas não costumam ser o principal obstáculo.
O que aparece com mais frequência são sentimentos como o medo de errar, de não acompanhar as mudanças ou de perder relevância em um mundo cada vez mais acelerado.
Quando criamos ambientes acolhedores e seguros, como acontece nas Masterclasses do Projeto 50+, algo diferente surge: as pessoas relaxam, participam, fazem perguntas, experimentam e se permitem aprender.
Por isso, o acolhimento não é apenas um diferencial. Ele é parte essencial da metodologia e da experiência de aprendizagem.
Entre todos os cursos estruturados pelo projeto, os mais procurados são justamente aqueles voltados para a autonomia digital.
Temas como:
A procura por esses conteúdos revela uma realidade importante: o público 50+ quer participar da vida digital de forma ativa.
Ao desenvolver essas competências, ganha autonomia, autoestima e novas possibilidades de convivência, trabalho e geração de renda.
Existe um equívoco comum de imaginar que, após a aposentadoria, a relação com o trabalho perde importância.
A experiência no Projeto 50+ mostra justamente o contrário.
Muitas pessoas desejam continuar trabalhando porque gostam de se manter ativas e produtivas. Outras precisam complementar a renda para manter a qualidade de vida, apoiar familiares ou lidar com os custos crescentes do dia a dia.
Por isso, assuntos como recolocação profissional, empreendedorismo, prestação de serviços e uso de ferramentas digitais aparecem constantemente nas conversas e nas trilhas de aprendizagem.
Estamos diante de uma geração que continua se reorganizando dentro do mercado de trabalho.
Ao longo das atividades, ficou evidente que felicidade, propósito, inteligência emocional, resiliência e autoconfiança são temas centrais para esse público.
A Masterclass Felicidade Pé no Chão, por exemplo, recebeu avaliações extremamente positivas justamente por abordar uma questão fundamental: como viver bem essa fase da vida.
A longevidade ativa exige mais do que conhecimento técnico. Ela demanda espaços de escuta, apoio emocional e fortalecimento das relações humanas.
Um dos aspectos mais marcantes do Projeto 50+ é perceber como a convivência se torna parte do aprendizado.
Nos eventos e encontros, ouvimos frequentemente relatos sobre novas amizades, acolhimento e sensação de pertencimento.
Mais do que cursos e atividades, o projeto está formando uma comunidade.
E esse sentimento de conexão tem impacto direto na saúde mental, na motivação e na permanência dos participantes ao longo da jornada.
Durante muito tempo, o envelhecimento populacional foi tratado como um desafio.
Mas existe uma outra forma de enxergar essa transformação.
O Brasil está envelhecendo, e isso representa uma enorme oportunidade para pessoas, instituições e para a sociedade como um todo.
Quem compreender esse movimento agora estará mais preparado para os próximos anos — sejam universidades, empresas, profissionais da saúde, empreendedores, organizações sociais ou gestores públicos.
A chamada economia prateada já é uma das forças emergentes mais relevantes do país, e iniciativas como o Projeto UniAnchieta 50+ demonstram que investir em longevidade é investir no futuro.
Ao assumir esse compromisso, o UniAnchieta reafirma sua visão de educação como instrumento de transformação contínua.
Desenvolver o Projeto 50+ tem sido uma experiência que também me transforma.
Todos os dias encontro pessoas que querem aprender, se reinventar, criar conexões, continuar trabalhando e viver com mais propósito. E quando encontram caminhos acessíveis e acolhedores, avançam muito mais rápido do que imaginam.
Talvez o que mais me marque nessa trajetória não seja o número de matrículas ou de cursos concluídos.
É ver alguém chegar desconfiado a uma Masterclass e sair perguntando:
“Quando começa a próxima turma?”
Esse é o verdadeiro sinal de que estamos construindo algo que faz sentido.
Vincenzo Lasalvia
Coordenador do Projeto UniAnchieta 50+